Dermatite de Contato e Patch Teste

O Patch Teste, também chamado de Teste de Contato, é o melhor exame para realizar o diagnóstico de Dermatite de Contato. Esse tipo de alergia se caracteriza pelo aparecimento de lesões avermelhadas e com vesículas nos locais que entraram em contato com a substância suspeita.

Dermatite de Contato

A dermatite de contato é uma doença universal, que pode acontecer em todas as idades e raças, porém sua incidência é menor na infância pela menor exposição às substâncias nessa faixa etária.

A dermatite de contato é uma forma de alergia a uma substância exógena que em contato com a pele leva ao surgimento de eczema (lesões inflamatórias avermelhadas, com escoriações, feridas, vesículas) que causam coceira e/ou ardor.

Esse tipo de reação acontece após repetidas exposições ao produto, raramente acontece na primeira exposição, já que é uma reação do organismo da pessoa contra aquela substância. Essa reação pode demorar dias a anos para acontecer, dependendo da imunidade de cada um.

O mais característico é o aparecimento do eczema no local do contato, por exemplo: nas orelhas ou dedos em quem tem alergia a bijuteria (níquel), no pé em quem tem alergia a borracha e nas mãos em quem tem alergia a produtos de limpeza ou luvas.

Dermatite de contato por borracha

Ainda, existem substâncias que dão alergia apenas após a exposição solar, como plantas, anti-inflamatório tópico e anti-histamínico tópico.

Principais substâncias que causam dermatite de contato:

  • Bijuterias (níquel)
  • Perfumes
  • Cosméticos
  • Corantes de tecidos e roupas
  • Borracha
  • Tintura de cabelo
  • Conservantes de produtos de higiene pessoal, medicamentos e cosméticos
  • Antibióticos tópicos

Patch Teste (Teste de Contato)

Na suspeita de dermatite de contato, o exame padrão ouro para descobrir o que causa alergia é o Patch Teste ou Teste de Contato. Consiste na colocação de várias substâncias dentro de pequenas câmeras que serão grudadas à pele do paciente com fitas. O mais comum é colocar essas câmeras no dorso (costas) do paciente, por ser uma área grande.

As substâncias ficam 48 horas em contato com a pele. Após esse período, elas são retiradas e uma primeira leitura é realizada. Para confirmar se houve ou não reação deve ser feita uma segunda leitura após 24h a 48h da primeira avaliação.

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Anafilaxia

Anafilaxia é uma reação alérgica grave, potencialmente fatal e que deve ser tratada rapidamente. Os principais sintomas são manchas vermelhas na pele, inchaço na face associado a falta de ar, tosse ou pressão baixa.

A anafilaxia é um termo utilizado para caracterizar um tipo de reação alérgica grave. Os sintomas iniciam minutos a no máximo 2 horas após a exposição ao alérgeno. O mais característico é o paciente iniciar os sintomas na pele: primeiro vem a sensação de coceira no corpo, seguido por aparecimento de manchas vermelhas, chamadas de urticária. Essas lesões parecem picadas de inseto, podem confluir e formar uma placa urticariforme. Ainda, sensação de formigamento nos lábios, língua, olhos ou orelha pode preceder um inchaço importante nesses locais, chamado angioedema.

 

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Urticária

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Asma

A asma é uma doença crônica do pulmão que acomete pessoas de todas as idades. Estima-se que no Brasil cerca de 24% das crianças e 19% dos adolescentes são acometidos pela doença. Se não tratada e acompanhada, pode ser uma doença que leva a sequelas no pulmão e graves complicações.

 

O que é?

A asma é uma doença inflamatório dos pulmões, mais especificamente dos brônquios. Essa inflamação é deflagrada por diversos fatores, como alergias a proteínas do meio ambiente (como poeira, fungos e animais), fatores irritativo (como cigarro, cheiro forte, fumaça ou variações bruscas de temperatura).

Adultos podem ter outros fatores desencadeantes, como anti-inflamatórios e outros tipos de partículas inalantes no trabalho.

Antigamente, usava-se o termo bronquite para asma.

bronquios
A asma é uma doença pulmonar, mais especificamente nos brônquios

Quais são os sintomas da asma?

Dependendo do grau de inflamação os sintomas podem ser menos ou mais intensos. Caracteristicamente, as pessoas com asma apresentam:

  • Tosse seca
  • Chiado no peito (sibilos, som semelhante a miado de gato)
  • Sensação de aperto no peito
  • Falta de ar

Os sintomas costumam a piorar a noite e no começo da manhã e durante atividades físicas. Em crianças pequenas, tosse após risos é um indicativo de asma.

Ainda, além dos fatores desencadeante descritos acima, infecções também podem exacerbar os sintomas.

Se a inflamação pulmonar for muito intensa, pode levar ao que chamamos de crise de asma ou broncoespasmo. Nesses casos, a falta de ar e os sibilos são importantes, podendo comprometer o nível de oxigênio no sangue devido a dificuldade intensa de passagem de ar.

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Fonte: Biosom

 

Como diagnosticar asma?

Primeiro, passar com um médico especialista para avaliar se os sintomas são compatíveis com asma. Os sintomas acima são altamente sugestivos da doença.

Ainda, alguns exames nos auxiliam no diagnóstico de asma, como:

  • Exames para confirmar alergia (prick teste ou exame de sangue)
  • Espirometria (prova de função pulmonar)
  • Teste terapêutico: iniciar medicações específicas para asma e avaliar melhora dos sintomas em 2 a 4 semanas.

 

Tratamento

O tratamento vai depender da gravidade e frequencia dos sintomas.

A primeira parte do tratamento consiste em evitar os fatores que desencadeiam e piora os sintomas. Assim, é importante a orientação com especialista para avaliar alergias, além de evitar fumaça, cigarros e cheiros fortes. Leia mais no Artigo sobre Higiene do Ambiente: Parte Fundamental no Tratamento das Alergias,

Tratamento com medicações podem ser iniciadas sempre com acompanhamento médico. Hoje, temos disponíveis inúmeras medicações para asma. Existem medicamentos profiláticos, que devem ser usados diariamente, que tem o intuito de diminuir os sintomas da asma e evitar crises graves; e existem medicamentos de alívio, que têm ação rápida e aliviam a falta de ar, devendo assim ser utilizados nas crises.

Dentro os medicamentos profiláticos, temos:

  • Corticóides inalatórios
  • Associação de corticóides inalatórios e broncodilatadores
  • Antagonista de leucotrienos
  • Antagonistas muscarínicos
  • Imunobiológicos, como omalizumabe e mepolizumabe, que são utilizados em casos graves, de difícil controle

Os medicamentos de alívio incluem bombinhas com broncodilatadores de curta duração e corticóide oral ou endovenoso.

Qual a melhor medicação?

O tratamento é individualizado para cada pessoa e assim, não existe medicamento melhor ou pior. O importante é manter acompanhamento com médico e não iniciar medicações sem prescrição médica.

As bombinhas para asma viciam?

As bombinhas para asma incluem medicamentos compostos por corticoide, broncodilatadores e antagonistas muscarínicos. Eles não causam vício ou dependência na pessoa, o que acontece é que a asma é uma doença crônica, sendo assim, dependendo do quadro pode ser necessário utilizar as medicações por longos períodos de tempo.

Existe vacina contra asma?

Sim! Também conhecido como imunoterapia, pode ser indicado em determinados casos.

Para saber mais sobre bombinhas e dispositivos inalatórios leia o Artigo: Broncodilatadores inalatórios.

 

 

Fonte: GINA 2018 

 

 

Principais Dúvidas Sobre Alergias

Posso me tornar alérgico a algum alimento/medicação que tomei por anos sem ter reação?

Sim!

É necessário ter um contato prévio e repetido com alimento ou medicamento para desenvolver alergia. A reação nunca acontece no primeiro contato. Não sabemos o porquê algumas pessoas levam dias e outras anos para desenvolver a alergia.

Quais são os alimentos mais comuns que causam alergia?

Os alimentos mais comuns que causam reação alérgica em adolescentes e adultos são o camarão, frutos do mar, amendoim e castanhas. A alergia a esses alimentos tende a ser permanente, ou seja, não melhoram com o passar do tempo.

Já em crianças, os alimentos mais comuns são leite, trigo, ovo e soja; e a reação tende a ser transitória, ou seja, conforme a criança cresce adquire tolerância e passa a não apresentar mais alergia.

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Febre Amarela

A febre amarela é uma doença hemorrágica viral aguda grave transmitida por mosquitos infectados. Uma pequena porcentagem de doentes que contraem o vírus apresentam sintomas graves e cerca de metade destes podem evoluir a óbito no prazo de 7 a 10 dias.

Como é transmitido?

A doença apresenta dois ciclos de transmissão epidemiologicamente distintos: silvestre e urbano.

Ciclo Silvestre

No ciclo silvestre da febre amarela, os macacos são os principais hospedeiros e amplificadores do vírus, e os vetores são mosquitos com hábitos estritamente silvestres, sendo os gêneros Haemagogus e Sabethes os mais importantes na América Latina. Nesse ciclo, o homem participa como um hospedeiro acidental ao adentrar áreas de mata.

A forma silvestre é endêmica nas regiões tropicais da África e das Américas. Em geral, apresenta-se sob a forma de surtos com intervalos irregulares, sem ciclicidade definida.

Ciclo Urbano

No ciclo urbano, o homem é o único hospedeiro com importância epidemiológica e a transmissão ocorre a partir de vetores urbanos (Aedes aegypti) infectados.

No Brasil

Foram definidas duas áreas:

  1. Área com recomendação da vacina, correspondendo àquelas áreas onde se reconhece o risco de transmissão;
  2. Área sem recomendação de vacina, correspondendo às “áreas indenes”, sem evidência de circulação viral.

Não é possível que uma pessoa infectada transmita diretamente o vírus para outra.

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Fonte: Conexão Saúde RJ

Fatores de risco para desenvolver a doença

Esta doença acomete com maior frequência o sexo masculino e a faixa etária acima dos 15 anos, em função da maior exposição profissional, relacionada à penetração em zonas silvestres da área endêmica.

Outro grupo de risco são pessoas não vacinadas que residem próximas aos ambientes silvestres, onde circula o vírus, além de turistas e migrantes que adentram estes ambientes sem estar devidamente imunizados. A maior frequência da doença ocorre nos meses de dezembro a maio, período com maior índice de chuva, quando a reprodução do mosquito é elevada, coincidindo com a época de maior atividade agrícola.

Sintomas

Uma vez contraído, o vírus da febre amarela mantém-se em incubação no corpo durante 3 a 6 dias. Muitas pessoas não apresentam sintomas, mas quando estes ocorrem, os mais comuns são:

  • Febre alta
  • Náuseas
  • Vômito
  • Fadiga
  • Dores musculares
  • Dores de cabeça

Na maioria dos casos, os sintomas desaparecem após 3 ou 4 dias, evoluindo com melhora total dos sintomas e adquirindo imunidade (proteção) permanente contra a febre amarela.

No entanto, em torno de 10 a 20% das pessoas que contraírem o vírus podem evoluir para uma forma mais tóxica, após uma breve (24 a 48 horas) recuperação dos sintomas iniciais. A febre alta retorna e outros órgãos são afetados, normalmente o fígado e os rins, causando outros sintomas, como:

  • Pele e olhos amarelados (icterícia: coloração amarelada que pode ocorrer na mucosa e/ou na pele)
  • Sangramentos
  • Fezes escuras
  • Diminuição da urina

     

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Icterícia

 

Tratamento

Não há tratamento específico para a doença, mas há cuidados específicos para tratar a desidratação, problemas do fígado e do rim, febre e dor. Aspirina (AAS) deve ser evitado, pois seu uso pode favorecer o aparecimento de sangramentos espontâneos piorando o quadro clínico.

Prevenção

A única forma de evitar a febre amarela silvestre é através da vacina, que é gratuita e está disponível nos postos de saúde em qualquer época do ano.

Já a febre amarela urbana pode também ser prevenida evitando a disseminação do Aedes aegypti, que transmite também dengue, zika e chikungunya. O Aedes prefere depositar seus ovos em água limpa e próximo a casa. Assim, é responsabilidade de todos evitar o acúmulo de água parada nas residências (veja dicas no Post sobre Dengue na parte sobre Prevenção). Também, o uso de repelente ajuda a evitar a picada do mosquito.

Vacina contra Febre Amarela

A vacina é atenuada, ou seja, contém o vírus da febre amarela enfraquecido, cultivado em ovo de galinha.

Todos que vão viajar ou moram em áreas endêmicas têm indicação de realizar a vacina.

A Organização Mundial da Saúde e o Ministério da Saúde orientam que 1 dose da vacina é suficiente para conferir proteção para toda vida.

Indicações

  • Crianças maiores de 9 meses até adultos com 60 anos

Contra-Indicações

Por ser uma vacina de vírus vivo, algumas pessoas não podem recebê-la:

  • Transplantados
  • Pacientes com doença imunosusupressora, como Aids ou Imunodeficiências Primárias
  • Pessoas com doença auto-imune ou câncer que utilizam medicações que causam diminuição da imunidade (converse com seu médico antes de realizar a vacina)
  • Gestantes
  • Crianças menores de 6 meses
  • Idosos (maiores de 60 anos) devem conversar com o seu médico para avaliar riscos e benefícios

Por ser uma vacina que é cultivada em ovo de galinha, os pacientes com ALERGIA À OVO que já apresentaram anafilaxia (reação alérgica grave) devem evitá-la pelo risco de reação. Caso o risco de infecção pela Febre Amarela seja muito grande, existem opções para a realização da vacina. Converse com seu Alergista.

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Fonte: Ministério da Saúde

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Protetor Solar

Você sabia que 80% da exposição a raios UV ocorre na infância? Exposição solar excessiva nessa faixa etária está relacionado a maior incidência de câncer de pele na idade adulta. Assim, o uso de protetor solar é fundamental, e não apenas no verão.

 

Como funciona o Protetor Solar?

O Protetor Solar age bloqueando os raios ultravioletas B (UVB), responsáveis por queimaduras. O Fator de Proteção Solar (FPS) é calculado com base no tempo necessário para desenvolver queimadura leve quando 2 gramas de protetor é aplicado em 1 cm2 de pele. A maioria das pessoas acaba aplicando menos protetor solar que o desejado, e assim o FPS torna-se menor do que o descrito na embalagem.

Dessa forma, aplique de forma generosa o Protetor Solar na pele da criança. Lembre-se que água, areia e neve refletem 10%, 15% e 80% respectivamente e por isso
na praia pode ocorrer queimadura mesmo na “sombra” ou dentro da água.

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Repelente

O uso de repelentes é medida importante na prevenção de doenças como zika, dengue, chikungunya e febre amarela. Conheça nesse Post os tipos de repelente e a partir de qual idade podem ser usados.

 

Bebês de 0 a 6 meses

Nessa faixa etária não existem estudos de segurança dos repelentes.

Assim, o ideal é que a proteção contra picada de inseto deve ser feita das seguintes formas:

  • Uso de mosquiteiro ao redor do berço
  • Roupas de cor clara ajudam a repelir os mosquitos, enquanto roupas escuras atraem
  • Roupas com manga longa e calça comprida
  • Evitar perfumes pois atraem os mosquitos
  • Existem produtos que podem ser aplicados apenas na tela ou mosquiteiros, chamados de permetrina spray 0,5%. Não aplicar diretamente na pele!
  • Repelentes elétricos diminuem a entrada dos mosquitos na casa e devem ser colocados próximo a entradas.

Caso a exposição a mosquitos seja importante e uso de repelentes seja inevitável, converse com o seu pediatra.

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Alimentos sólidos: quando e como iniciar?

A alimentação complementar é a introdução de outros alimentos para bebês que estão em aleitamento materno ou em uso de fórmula infantil.

Conforme a criança se desenvolve, esta adquire capacidades motoras e perde certos reflexos do nascimento, o que indica que ela está apta a receber outros alimentos além do leite. Até os 6 meses de vida, o leite materno é o alimento ideal do ponto de vista nutricional, emocional e estímulo motor. A partir dessa idade, outros alimentos devem ser acrescentados a dieta devido a necessidade nutricional e também pelo momento propício do desenvolvimento motor e sensorial da criança.

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Bebê Chiador (Lactente Sibilante)

Bebê Chiador ou Lactente Sibilante é a criança menor de 2 anos que apresenta chiados recorrentes. Os vírus são os principais agentes etiológicos e os sintomas melhoram com o crescimento. Em alguns casos, ocorre a evolução para asma.

Crianças pequenas podem ter de 6 a 8 infecções virais por ano e alguns desses vírus estão relacionados com chiado persistente durante a infância.
  • Adenovírus: sua infecção está relacionado a quadros graves de chiado
  • Vírus Sincicial Respiratório: é o vírus responsável pela bronquiolite na infância
  • Rinovírus: é o vírus mais prevalente

 

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Imunodeficiência Primária: quando suspeitar?

Sistema imunológico: pra que serve?

O sistema imunológico tem a função de manter o equilíbrio entre o combate de infecções  (microorganismos estranhos, como vírus, bactéria, fungos e parasitas) e também impedir que anticorpos produzidos ataquem células do nosso próprio corpo.

Assim, quando nascemos com uma alteração de algum gene que codifica a resposta do sistema imunológico, temos um desbalanço desse sistema, e dois tipos de doença podem ocorrer:

  1. Imunodeficiência Primária: uma falta de resposta do organismo contra infecções (defesa contra bactérias, vírus ou fungos).
    • Exemplo: Doença Granulomatosa Crônica, Imunodeficiência Combinada Grave, Ataxia-Telangiectasia, Agamaglobulinemia ligada ao X, Imunodeficiência Comum Variável, entre outras
    • O médico imunologista é o especialista que cuida desses pacientes
  2. Doenças auto-imune: uma resposta aumentada do organismo contra células do nosso próprio corpo
    • Exemplo: Lúpus, Hipotireodismo, Artrite Reumatóide, Doença de Crohn, entre outros
    • O médico reumatologista, gastroenterologista e/ou endocrinologista cuidam dessas doenças, dependendo do órgão afetado e dos sintomas principais

Ainda, alguns genes alterados podem aumentar a susceptibilidade e incidência de câncer.

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