O que é urticária crônica?

A urticária é uma lesão avermelhada, elevada, que coça bastante, desaparece em algumas horas e podendo aparecer novamente em outros locais sem deixar cicatriz ou marca. São semelhantes a picadas de inseto, podendo confluir, tornando-se placas.

A urticária aparece sozinha em 50% dos casos, 40% dos casos é acompanhada de angioedema e 10% dos casos apresenta-se apenas com angioedema.

Angioedema são inchaços com evolução rápida, que chegam a deformar o local de acometimento. Pode aparecer em qualquer lugar do corpo, sendo muito comum na face (olhos, lábios e língua).

A urticária é classificada por tempo de acometimento:

  • Aguda: dura menos de 6 semanas
  • Crônica: dura mais de 6 semanas

 

urticária1
Urticária: lesões semelhantes a picada de inseto

O que causa a urticária crônica?

A urticária crônica pode ser causada por fatores físicos, como água, calor, pressão:

urticariafisica
Tipos de Urticária Física

 

dermografismo
Dermografismo: levação na pele causada após fricção com caneta

Em alguns casos não encontramos fator desencadeante, chamamos então a urticária de idiopática. Hoje sabemos que esses casos ocorrem devido a uma reação do organismo contra ele mesmo: ao invés de produzirmos anticorpos contra patógenos externos, há produção contra células do próprio corpo, mais especificamente os receptores de imunoglobulina E. Assim, esses anticorpos acabam induzindo lesões como a urticária.

 

A urticária crônica tem cura?

Nos casos em que descobrimos o fator desencadeante evitá-los torna-se essencial para melhora do quadro. Porém, sabemos que diversos fatores físicos são rotina no nosso dia a dia. Assim, existem medicações que impedem a urticária de aparecer. Dependendo do tipo de urticária, ela pode apresentar remissão em alguns anos.

Até o momento não existem medicamentos que curem a urticária, tanto física como idiopática. Os anti-histamínicos (anti-alérgicos) são a base do tratamento e tem como objetivo controlar o aparecimento das urticas e da coceira, de forma que não atrapalhem o dia a dia do paciente. Eles em geral são usados por longos períodos: após o controle dos sintomas é indicado que eles continuem sendo usados por alguns meses e após esse tempo é tentada uma retirada gradual dos medicamentos.

Ai encontra-se o grande desafio para pacientes e médicos! Por ser uma doença crônica, que causa grande incômodo, é importante que tanto o médico quanto o paciente entendam o objetivo do tratamento e que o mesmo deve ser mantido por longos períodos.

O objetivo principal do tratamento é uma ótima qualidade de vida.

 

Urticária crônica pode ser devido a alergia alimentar ou a medicamentos?

É muito raro. Em geral quadros de alergia alimentar ou medicamentosa se manifestam como urticária aguda. A urticária aparece minutos (até no máximo 2 horas) após a exposição ao alérgeno e com o afastamento do mesmo, ela não volta a aparecer.

Alguns alimentos e medicamentos podem piorar o quadro de urticária crônica:

  • Alimentos denominados “liberadores diretos de histamina” podem piorar a coceira. A reação é individual para cada pessoa, podendo ser dependente da quantidade do alimento.
    • Morango, carne de porco, tomate, corantes, temperos artificiais, entre outros
  • Anti-inflamatórios: podem exacerbar o quadro de urticária

Não evite nenhum alimento ou medicamento antes de conversar com seu médico!

 

Como tratar a urticária crônica?

A base do tratamento é o uso de anti-histamínicos (anti-alérgicos) de segunda geração. Esses medicamentos não apresentam os efeitos colaterais dos anti-alérgicos de primeira geração: sonolência, aumento do apetite e diminuição da concentração.

Pode demorar até duas semanas para observarmos o controle dos sintomas. Ainda, se necessário, é possível aumentar a dose até adquirir controle.

Aproximadamente 50% dos pacientes não apresentam controle dos sintomas apenas com os anti-histamínicos, e assim, outros medicamentos podem ser associados, como ciclosporina, montelucaste e omalizumabe.

O importante do tratamento é:

  • Lembrar que o uso das medicações é a longo prazo
  • Não suspender as medicações sem orientação médica. Isso pode fazer com que todo o progresso que você apresentou com o tratamento seja perdido.
  • Não se auto medique! Procure um especialista: ele pode te orientar em relação aos anti-histamínicos e outras medicações.

 

É uma doença contagiosa?

Não! Não é possível transmitir a urticária crônica para outra pessoa.

 

É causada por estresse?

Não! Sabemos hoje que mesmo a urticária idiopática é causada por auto anticorpos.

O estresse pode piorar ou exacerbar o quadro de urticária crônica, porém não é o que deu início a ela.

Fonte: ASBAI 

6 respostas para ‘Urticária Crônica: um desafio para o paciente e o médico

  1. Comecei a ter urticária solar toda vez que me exponho ao sol faz um ano. Não tenho mais tireóide e faço reposição hormonal. Fiz tratamento com radioiodoterapia a mais de cinco anos . Comecei a fazer depilação a laser também a um ano e estou na dúvida se essa alergia ao sol se deu pelo laser… será????

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    1. Olá Aline,
      Existe urticária após exposição solar.
      Não necessariamente está relacionado ao laser.
      Sugiro agendar uma consulta com especialista para que ele possa avaliar o seu caso!
      Atenciosamente, dra Jessica

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  2. Boa noite,

    Possuo urticária colinérgica crônica a quase 4 anos.

    Depois de passar por vários médicos (até “especializados” em alergias), nenhum conseguia me explicar o que eu tinha. Os exames davam tudo normal. Mesmo com os remédios, não melhorava.

    Vou lhes dar um (não tão) breve resumo do meu início da Urticária Colinérgica Crônica.

    Se você está lendo isso, provavelmente você tem ou conhece alguém que tem algum tipo de urticaria Crônica.

    Porém, Colinérgica é bem mais raro de acontecer – carece de estudos sobre um melhor mecanismo de ação (o “porquê” e “como”) – e, então, não possui cura mas sim um tratamento para controlar seus sintomas.

    Resumindo, urticária colinérgica seria uma “alergia” ao calor interno e externo do corpo. Quando a temperatura do corpo aumenta, independente do fator (que pode ser do sol, banho quente, atividades físicas, e até stress emocional, ansiedade, etc) aparece a urticária. E apesar de muitos sites e artigos indicarem que a UC coça muito, a minha não coçava: Ardia. Uma queimação insuportável. A nível deitar no chão gelado para se refrescar. Entrar no chuveiro gelado e ainda ficar em frente ao ventilador para refrescar ainda mais. E imagine tudo isso no inverno.

    Foram 3 anos sem sair de casa, sem atividades físicas, e indo aos médicos e aos laboratórios fazendo exames.

    Então, na busca de uma solução para meu problema (indo de médico em médico) – pode chamar de milagre, anjo da guarda, Deus, destino, seja lá o que você que está lendo acredite – fui no consultório com a Dra Jéssica.

    Conseguimos identificar, ou melhor, diagnosticar o meu problema: UCC.

    A Dra me explicou detalhadamente tudo (na medida do possível) sobre esta doença.

    Mostrou também a sequência/fases do tratamento.

    Depois de longos 2 anos e meio, tomando anti-histamicos (h1), (h2), ambos; aumentando e aumentando doses; adicionando outro medicamento (anti-depressivo tricíclico); por vezes ciclos de corticóides orais/injetáveis – cheguei a 15 – 17 compridos por dia entre estes remédio, para então finalmente as crises da urticária se estabilizarem. Conseguimos assumir o controle.

    Depois de um tempo, começamos a diminuir (h1, ADT) e até retirar alguns remédios (h2). Hoje estou em 5 por dia – e UC 100% controlada. Sem crises.

    Voltei a minha vida normal (aos poucos, mas voltei) depois de todo esse tempo.

    Tudo isso graças a Dra Jéssica.

    Perceba que eu usei as palavras “conseguimos”, “começamos”. Isto porque vejo como um trabalho em conjunto. Esta doença afeta MUITO a qualidade de vida do paciente. É fácil querer desistir de tudo. É difícil passar por isso sem um apoio profissional realmente bom.

    E caso você (ou conheça alguém) tenha UCC, não deista. Você não precisa ter meu “nível de curiosidade” para ir atrás e pesquisar mais afundo sobre a doença, basta confiar e seguir o tratamento indicado pela Dra. Jéssica.

    Não acho que alguém tiraria um tempo para escrever tudo isso – ainda escreverei mais – se não fosse verdade.
    Então dê um voto de confiança pra Dra.

    Caso queira, deixo meu e-mail abaixo para contato. Posso ajudar em uma parte “psicológica”, experiências que tive durante as crises da urticária colinérgica. Não posso falar os remédios/doses, os detalhes do meu tratamento até por não ser a minhas área, nem ser legal e ético. Para essa parte, marque uma consulta com a Dra Jéssica!!! 🙂

    Meus sinceros agradecimentos por tudo Dra, sem você eu não conseguiria voltar a minha vida normal – nem saberia se teria vida – hoje.

    Att,
    Raphael F. Mota
    raphaelfmota@gmail.com

    Curtido por 1 pessoa

    1. Rapha,

      Muito obrigada pelo seu comentário! Eu não mereço todos esses elogios, já que muito da sua melhora se deve a sua persistência e coragem! Fico feliz por poder ter te ajudado, e principalmente, pela sua melhora!

      Obrigada,
      Dra Jessica

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  3. Bom dia Dr. Aline.
    Então meu marido tem essa alergia desde criança ele já foi no
    Medico ja fez vários exames mas nunca descobriram o que era então eu fui pesquisar pra saber o que ele tinha e descobri por aqui no seu SAT. Então hoje ele tem 23 anos e cada dia piora ele tem muita coceira intensa a pele dele fica muito vermelho e inchado principalmente no pescoço e na barriga, tem dias que eu fico ate assustada. Tem algum tratamento pra essa alergia ou você pode me indicar algum remédio?

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    1. Olá Carla,
      A urticária crônica é uma doença auto limitado que melhora espontaneamente em alguns anos. Não existe tratamento curativo, porém existem medicações que ajudam no controle da coceira e no aparecimento das urticária. O objetivo do tratamento é que o paciente fique sem coceira e melhore a qualidade de vida.
      Não é possível te recomendar medicações por mensagem, conforme estabelecido pelo Comitê de ética médica e pelo Conselho federal de medicina.
      Marque uma consulta com alergista para que o tratamento possa ser iniciado!
      Att, Dra Jessica

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